A Terra do Gelo e do Fogo a que me refiro é, claro, a Islândia. Sim, aquela ilhota gelada entre o Reino Unido e da Groenlândia, que, se não fosse por uma grave crise financeira que quase levou metade dos aposentados britânicos à penúria, e também por um vulcão de nome impronunciável que resolveu explodir e cuspir fumaça para toda a Europa continental, provocando um caos aéreo ainda mais grave que o causado pelos atentados terroristas de 2001, a pequena, calma e inofensiva Islândia continuaria passando despercebida aos olhos da maioria dos terráqueos.
Para quem é apaixonado por música, contudo, vale a pena perder uns minutos e procurar as notícias do backstage musical islandês. Assim como são ultra-protetores da própria cultura, os islandeses idolatram a música, e não por menos são relativamente famosos por isso.
Há um ano era inaugurada, próxima ao porto da capital Reykjavík, o mais novo concert hall europeu: Harpa.
Depois de muitos anos de construção (e algumas paralisações, tendo a crise financeira de 2008 quase inviabilizado seu término), a obra foi concluída, e agora enche os olhos de qualquer um que nela mire o olhar.
O prédio foi projetado pelo escritório de arquitetura dinamarquês Henning Larsen Architects, com contribuição do artista islandês Ólafur Elíasson.
A sala principal, Eldborg, tem capacidade para 1800 pessoas, e abriga a Orquestra Sinfônica da Islândia e a Ópera Islandesa.
A Islândia vem investindo cada vez mais em si mesma para, assim, atrair os olhos do mundo para si e receber investimentos estrangeiros. Um dos planos de investimento é, graçasadeusmente, na cultura.
De 18 de Maio a 03 de Junho, anualmente, ocorre o Festival de Artes de Reykjavík, um dos mais respeitados da Europa.
Contando com concertos, peças de teatro, exibições, números de dança e ópera, o festival atrai, principalmente, pessoas de toda a Europa – onde viajar de avião é bastante barato –, já tendo se consolidado como um dos mais importantes festivais de artes do continente.
Não fosse isso o bastante, no período de 31 de Outubro a 04 de Novembro, Reykjavík sediará o festival Iceland Airwaves, com dezenas de bandas e músicos de todos os cantos, e, neste ano, com a volta da banda Sigur Rós, que há 11 anos não se apresenta no festival.
Assim, a Islândia não é apenas um lugarzinho gelado no meio do nada (na verdade, por causa da Corrente do Golfo, a capital, Reykjavík, tem temperaturas médias muito mais altas que Nova York, Montreal ou Toronto, por exemplo).
Ísland não é somente uma terra inóspita onde tudo o que existe para se fazer é ver geleiras, campos de magma, vulcões, gêiseres, andar nos simpáticos cavalinhos islandeses e engolir tubarão podre com a ajuda de Brennivin, a bebida alcóolica mais horrorosa que o ser humano já inventou (depois da Kaiser). Não. A Islândia oferece, sim, uma considerável programação cultural que, se continuar se expandindo no atual ritmo, acabará entrando definitivamente nas agendas culturais internacionais.
Isso não quer dizer, contudo, que não haja lugares aterrorizantemente gelados e desolados noutras áreas do país, como você pode verificar na foto ao lado, que tirei quando morei por lá.
Ou seja, queira artes ou belezas naturais – ou, melhor ainda, um pouco de casa coisa – ignore o tom publicitário deste post (não estou sendo pago pelo Departamento de Turismo Islandês, não!) e pense na possibilidade de visitar a terra que inspirou tanta gente, do grande Júlio Verne ao pobre... eu!
Que a magia esteja com você!
M. H.
















